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Colaborações Regulares
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Duarte Nuno Correia
Raphaelismos


DIAS AMERICANOS
Tuesday, 22 November 2005
3 irm?s
As tres parecem irm?s. Uma mais bem bestida, mais magra, mais velha, mais morena. As outras duas, de cara larga, risonha, com cabelos curtos, calc?es e tops sem mangas, a deixar sair as carnes em profus?o. Dignas, entusiasmadas, muito orgulhosas da sua condic?o. As tres vieram refugiadas de New Orleans, fugidas do furac?o Traquinas, perd?o, Katrina, parecem irm?s mas n?o s?o. S?o m?e e filhas, ligadas por essa tragedia que as deixou de m?os a abanar mas n?o lhes levou a alma. Ja antes viviam assim, em apartamentos contiguos, partilhando os dias como tres irm?s, tratando da mais velha, m?e, como se mais nova fosse, a mana. Agora v?o em bando, pardalitas pipilantes, remanescendo os pedacos de vida para tras, sem chorar a perda, sorrindo a vida que se abre em frente. Contam as historias do que eram e do que outros lhes dizem, e sentado para faze-las falar e como rachar os diques da historia de New Orleans. Georgina, a m?e, tem 180 anos mas e como se tivesse 20. Descende de escravos libertos e conquistadores espanhois, passou a Grande Depress?o, a II Guerra Mundial, as lutas dos direitos civicos com Luther King, e aguentou o barco contra todos os outros furac?es, ate que o Katrina a atirou borda fora. Veio parar aqui, onde os invernos s?o frios, a comida insosa, a agua n?o entra em casa como rio mas bate a porta como gelo. As irm?s s?o a guarda d’honra, protegem a m?e com desvelos, riem do destino em gargalhadas francas, atropelam-se nas falas em ondas convulsas, abrem os olhos em miradas intensas, para melhor passar o tempo e a mensagem. Georgina n?o, sorri apenas, ao entusiasmo das filhas da sua idade, acrescentando um ponto quando quer que seja final. “Podem dar-me o dinheiro que quiserem, nada pagara o que perdi.” E falam as filhas da mobilia do quarto, em mogno lavrado, que elas limpavam com escovas de dentes em criancas que ainda s?o, das fotos do antepassado conquistador espanhol, das reliquias da m?e da m?e e da m?e da avo, tudo perdido na voragem das aguas. Falam dos amigos que se foram, dos que ficaram salvos do telhado do predio, do cheiro a podre que em tudo se entranha, dos fungos que crescem sem perd?o e do que era e n?o volta a ser. Mas o melhor de tudo e aquele sotaque arrastado do sul, onde se sente o peso do tempo e do frances, quase cantado no final de cada palavra, com um timbre de desafio ao destino e ao furac?o que o carregue.

Posted by sergioloureiro1 at 11:59 PM MST
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Sunday, 11 September 2005
Futebol Americano
Mood:  don't ask
Este fim-de-semana iniciou-se a epoca 2005-2006 de Futebol Americano. Para todos quantos n?o saibam o que e o futebol americano, publico no site dos Dias Americanos uma concisa explicac?o. Podem ve-la aqui.

Posted by sergioloureiro1 at 11:25 PM MDT
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Gabby no Ella?s Deli
Mood:  happy

Para alegrar aqui ficam os mais lindos olhos azuis que vi na vida. Obrigado ao Nuno Peres Monteiro pela foto.



Posted by sergioloureiro1 at 12:11 AM MDT
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11 de Setembro

Faz hoje 4 anos a America acordou com a vis?o do World Trade Center a implodir por causa de dois avi?es feitos misseis., com o Pentagono reduzido a um quadrado e com o sentimento de invencibilidade desfeito em po.

Hoje, 4 anos depois, a America n?o consegue dormir com medo de furac?es, enchentes, terroristas, hamburguers, autismo, ofensas sexuais, chineses, exclus?o racial e subidas do preco da gasolina. Nesta paranoia envolveram o mundo todo e mudaram o planeta onde vivemos.

A America n?o e hoje pior do que era. E diferente. A grande virtude deste pais e n?o ficar a espera que alguem faca por eles. Os americanos sabem aprender com os erros. V?o emergir disto mais fortes, e v?o arrastar quem quiser vir. S?o temerarios, confiantes e empreendedores.

Hoje n?o vale a pena falar do que corre mal. Hoje vale a pena falar de esperanca. Num mundo melhor, de paz, liberdade e prosperidade para todos. Os que morreram a 11 de Setembro de 2001 e todos os que os seguiram ate hoje merecem que a sua memoria os nossos filhos tenham um mundo melhor.

Nota Pessoal: Eu estive no World Trade Center em Nova York durante 3 semanas ate dia 16 de Agosto de 2001. Menos de um mes depois, os avi?es embateram nas Torres Gemeas. A morte passa-nos perto muitas vezes e so percebemos tarde demais. Aproveitemos a vida enquanto podemos.

Posted by sergioloureiro1 at 12:01 AM MDT
Updated: Sunday, 11 September 2005 12:02 AM MDT
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Wednesday, 7 September 2005
Porto de Partida
Topic: Duarte Nuno Correia

Os dias que passam
Por Duarte Nuno Correia

Sou um optimista por natureza. Tento sempre ver o angulo positivo de qualquer desgraca, quer esteja directamente envolvido ou seja um mero espectador. Confesso contudo que, nestes ultimos tempos, esta minha faceta tem tido dificuldade em revelar-se, e uma vis?o sombria da humanidade apoderou-se dos meus pensamentos. Na verdade, a informac?o que nos chega do mundo e desastrosa para os pouco de nos que subsistem sem ?Prozac? ou ?Xanax?, ou opios distractivos. Comeca no nosso Pais, com as cinzas que pairam sobre as nossas cabecas depois de mais uma ?epoca de incendios?, que cada vez mais vamos aceitando como inevitavel e normal (ate ja temos uma epoca oficial), continuando com o estado miseravel em que se encontra a nossa Republica, onde surge um candidato ?Laico e Republicano?, que sonha ser Rei absolutista e que pretende reinar para la da senilidade, da sua e da do povo, continuando nas tragicas noticias do resto do mundo, onde inevitavelmente, a ignominia vivida em New Orleans tem lugar de destaque.

S?o tempos dificeis estes. S?o tempos de descrenca, n?o em Deus, que me parece ha muito se desligou da sua obra, mas sobretudo de descrenca na humanidade, naquilo que em principio nos distinguiria dos outros habitantes do planeta. Tenho muito pouco a dizer sobre o que vejo na televis?o, acontecido em New Orleans. Simplesmente porque me faltam as palavras, n?o sei como adjectivar. N?o penso que seja um problema americano. N?o tenhamos ilus?es, se acontecesse na Europa, teriam existido igualmente os saques, as violac?es, os homicidios, enfim o colapso da vida democratica e socialmente respeitadora do proximo. E isso e que e grave. Ate aqui viamos as atrocidades acontecerem em Africa (Ruanda por exemplo) com uma certa distancia. Coitados, pensavamos, a civilizac?o ainda n?o chegou la. Agora depois, da Katrina, temos a certeza que a civilizac?o t?o pouco chegou a nos, Mundo Ocidental. Vivemos sobre estacas morais e eticas, t?o frageis e t?o perto de ruirem como a baixa de Lisboa. Afinal, basta um vendaval para nos tornarmos animais, mais irracionais do que qualquer outro a face do planeta.

N?o sou catastrofista, mas sem duvida que estas ultimas semanas me fazem olhar para a nossa especie e ter vontade de pertencer a qualquer outra.

Posted by sergioloureiro1 at 7:02 PM MDT
Updated: Wednesday, 7 September 2005 7:04 PM MDT
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Sunday, 4 September 2005
Morreu Renquist
Mood:  don't ask

O Presidente do Supremo Tribunal morreu ontem a noite. Mais uma dor de cabeca para o presidente, que vai ter que nomear mais um juiz para o Tribunal numa altura em que a sua aura, ja de si com uma cor esverdeada, se desvaneceu definitivamente. Mais nisto noutra oportunidade.

Noticia no Washington Post

Posted by sergioloureiro1 at 10:06 AM MDT
Updated: Sunday, 4 September 2005 10:07 AM MDT
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O Mayor indignado
Mood:  irritated

Na Sexta-feira, dia 2, o Mayor de New Orleans, Ray Nagin, deu uma entrevista a uma radio. Ray Nagin tomou a iniciativa de telefonar para a estac?o, num apelo desesperado e numa acusac?o indignada a inacc?o da administrac?o. Apos ouvir o Mayor, parece que as coisas comecaram a ser feitas. Mas o apelo pungente do Mayor de New Orleans e comovente e directo ao corac?o de todos.

Podem ouvi-lo aqui

Posted by sergioloureiro1 at 9:59 AM MDT
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Saturday, 3 September 2005
O pesadelo de Katrina
Mood:  sad

O sonho americano tambem tem despertares dolorosos. Pela primeira vez, pelo menos desde que aqui estou, a America tem que enfrentar a dura realidade das suas falhas. O furac?o Katrina acordou para as duras penas da realidade este mundo de fantasia em que o americano medio vive e as industrias que o sustentam o querem.

A evidente falencia do voluntarismo da administrac?o (leia-se do presidente e seus acolitos) deixou o pais em estado de choque. Os precos da gasolina, ja altos para o que o americano estava habituado, dispararam acima dos $3/gal?o quando se percebeu a extens?o dos estragos em New Orleans. Mas o que esta a trazer as pessoas de volta a realidade s?o as imagens de terceiro mundo numa das metropoles mais carismaticas do pais. A cidade debaixo de agua, o estadio dos Saints desfeito, com cenas de filme de horror nos corredores escuros, as pessoas apilhadas dias a fio nos telhados, as pilhagens, os ataques as equipas de socorro, as noticias de assaltos, assassinatos e violac?es, a faltade agua e comida, as ameacas de doenca e animais solta, tudo denuncia as deficiencias estruturais daquela cidade, que a America ignorava.

Conhecendo New Orleans, percebe-se um pouco melhor. A cidade esta construida abaixo do nivel do mar. Um sistema de diques mantem a cidade estanque. Foram esses diques que rebentaram e permitiram a inundac?o. New Orleans e um destino turistico popularizado pelo carnaval (Marti Gras), cuja iconica imagem s?o as mulheres jovens (universitarias, brancas, classe media) que mostram os seios em troca de colares coloridos, que depois valem bebidas nos bares do quarteir?o frances. Girls Gone Wild! Mas a realidade da populac?o e bem diferente. Num estado do sul, com maioria negra, mais de 100,000 pessoas tem rendimento abaixo do nivel de pobreza, a cidade vive com infraestruturas velhas, emprego precario, problemas de poluic?o. Acrescente-se a tudo isto a atmosfera romantica, os mesticos descendentes de franceses, o culto dos mortos e do vudoo. Em suma, onde Vegas tem o luxo de Roma, NY o perfume de Atenas e a Florida o charme de Cinderela, New Orleans parece-se com Sodoma e Gamorra.

N?o tenho a certeza se fora daqui ja se tornou patente ou sequer se suspeita a dimens?o da tragedia. Mas mais do que as consequencias economicas, a verdadeira tragedia e moral.

Vou arriscar prever que o furac?o Katrina e o Watergate de Bush. N?o mais o presidente vai poder falar sobre manter a America segura ao lutar contra o terrorismo. A retorica dos republicanos tem sido martelada a exaust?o: tudo de mal que se passa aqui tem origem externa. A guerra e necessaria para nos manter seguros. A economia esta em grande, as dificuldade s?o culpa dos chineses. Os americanos podem dormir descansados, porque desde que este presidente tomou conta, nunca mais fomos atacados. ( O 11 de Setembro ainda foi culpa do Clinton!)

Pois bem, o mito acabou. Suspeita-se agora que o Katrina tenha morto mais pessoas que o ataque a NY. A administrac?o esta no poder, com controlo do Congresso e do Senado, a mais de 4 anos. O presidente estava de ferias (activas!) ha 5 semanas. Passeou-se por 3 bases militares para falar da nova constituic?o iraquiana dois dias DEPOIS do furac?o atingir New Orleans. Demorou 5 dias a mandar as tropas (apenas no dia em que foi visitar o local). Os factos s?o irrefutaveis. Estes marmelos n?o estavam preparados, mesmo tendo sido avisados: o Weather Channel funciona 24 horas ao dia e estava a falar nisto ha duas semanas.

A incompetencia da administrac?o, os compadrios, a corrupc?o s?o patentes. Os directores dos servicos de emergencia s?o amigos pessoais do presidente, a quem n?o se conhece experiencia ou autoridade para gerir esses servicos. A Halliburton ja tem contractos para reconstruir a cidade. As tropas, necessarias para remediar os danos (especialmente a Guarda Nacional, que e essencialmente uma forca de protecc?o territorial) est?o amarradas no Iraque. Pedidos de ajuda previos foram ignorados. A reacc?o ao impacto do furac?o foi atrasada e diminuta. As palavras de conforto soam a falso. Comeca-se a suspeitar que se isto tivesse acontecido numa area com maioria de populac?o branca e afluente, como no ano passado na Florida, o presidente teria sido mais celere a enviar ajuda e apoio. Ao inves, New Orleans e pobre e negra.

Mas tudo isto s?o considerac?es algo futeis nesta altura. A emergencia e salvar quem pode ser salvo. O ajuste de contas vira depois. Como dizia Churchill, pode-se enganar toda a gente durante algum tempo; pode-se enganar algumas pessoas sempre; n?o se pode enganar toda a gente para sempre. Pela primeira vez em muitos anos, a imprensa comeca a fazer perguntar dificeis e a n?o se contentar com as respostas enlatadas. Aqui diz-se que comecam a por os pes da administrac?o no fogo.

Sera que com o pesadelo de Katrina comecou o churrasco de Bush?

Posted by sergioloureiro1 at 1:11 AM MDT
Updated: Saturday, 3 September 2005 1:12 AM MDT
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Wednesday, 31 August 2005
Do Beijo e Do Futuro
Mood:  special
Topic: Raphaelismos


Raphaelismos

(Nota do Editor: nesta rubrica apresentamos as reflex?es de Raphael Lawnicki Loureiro, filosofo e pensador, sobre a vida, a morte, a natureza, a humanidade, os designios pessoais e a a sociedade em geral.)

“I see the future when I look into your eyes and I see you will kiss me!”

Madison, 31 de Agosto de 2005, dito a uma menina (n?o identificada, para protejer a fonte), que foi descoberto tinha partilhado beijinhos e abracos em situac?o de maior intimidade

Posted by sergioloureiro1 at 10:05 PM MDT
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Tuesday, 30 August 2005
Prenda de anos para o Miguel Cristiano
Mood:  lyrical


Pode parecer a desproposito, mas aqui fica uma prenda para o Miguel Cristiano, Maestro e Cacador de Talentos, Advogado Cantor, Tuno Fundador e Magister Sempiterno. Um abraco para ele, para o Luis Cunha e para o Nuno Goncalves, que no espaco de dois dias se decidiram todos a vir ao mundo. Parabens para eles.

Yo Tengo un Novio


Posted by sergioloureiro1 at 10:17 PM MDT
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